Gravidade e Patos
Se você olhar um mapa da distribuição de galáxias no Universo local, pode ficar
surpreso em descobrir que as galáxias não parecem estar distribuídas
uniformemente, mas se aglomeram entre si. No entanto, não é tão surpreendente
que a distribuição de galáxias não seja uniforme; se fosse uniforme, o Universo
estaria organizado como um gigantesco cristal. E nenhuma lei da Física
conhecida levaria a um Universo cristalino.

A distribuição de galáxias em uma fatia do mapemaneto espectroscópico do SDSS
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Para entender como as galáxias se aglomeram, considere uma distribuição de
patos em um lago. Alguns patos vagam por si mesmo, mas a maioria deles, na
maior parte do tempo, encontram-se em pequenos grupos de dois, três ou mais que
tendem a andar juntos. Patos tendem a se aglomerar e esse aglomeração não é
resultado do acaso. Eles tendem a querer ficar perto uns dos outros.
Como patos, galáxias se aglomeram não por acaso, mas porque querem ficar perto
umas das outras. Claro que, ao contrário dos patos, galáxias não têm desejos; o
que faz com que "queiram" ficar juntas é a força da gravidade. Como a gravidade
é sempre atrativa, as galáxias serão atraídas entre si. Então, a medida que o
Universo envelhece e evolui, você esperaria que galáxias se tornassem cada vez
mais aglomeradas.
Aglomeração é entendida e medida em termos de estatística. Por exemplo, se um
biólogo quer estudar o comportamento de aglomeração de patos, ele ou ela deve
estudar muitos grupos de patos, em períodos de tempo diferentes e em diversos
lagos. Se um astrônomo quer estudar a aglomeração de galáxias, ele ou ela deve
ter um mapeamento sistemático muito grande - um mapa - de onde as galáxias se
encontram. O Sloan Digital Sky Survey providenciará tal mapa.
Com o mapa do SDSS, astrônomos serão capazes de responder uma questão
importante sobre a estrutura em larga escala do Universo: quão grande é a
escala que se deve olhar para que a partir dela o Universo comece a parecer
uniforme?
Astrônomos não ficaram muito surpresos ao descobrir que nossa própria
galáxia, a Via Láctea, era um membro de um grupo de aproximadamente vinte
galáxias. Eles também não ficaram surpresos ao descobrir que nosso grupo local
era um membro de um aglomerado com algo em torno de duas mil galáxias. Mas
quando se olhasse em escalas maiores, eles esperavam encontrar uma
situação ordenada e sensata. Claro que eles não esperavam encontrar
um Universo perfeitamente organizado como os gregos tinham imaginado, mas
acreditavam que uma vez que olhassem para além da nossa vizinhança local,
dentro de poucos centenas de milhões de anos-luz, as propriedades médias do
Universo se tornariam previsíveis.
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Aglomeração em três
escalas crescentes: grupo, aglomerado e
superaglomerado. |
As Maiores Estruturas?
Mas quanto maior e mais profundo os mapeamentos do céu eram feitos nos anos 80
e 90, astrônomos se surpreenderam ao encontrar que havia aglomerados de
aglomerados, ou superaglomerados, de galáxias que formavam paredes gigantescas
e finas camadas que envolviam áreas grandes com bem poucas galáxias, chamadas
de vazios. Na maior escala vista até agora, a distribuição de galáxias se
parece com uma gigantesca espuma de bolhas de sabão.
Uma das questões básicas da astronomia hoje em dia é "qual é a maior estrutura
do Universo?". Temos encontrado aglomerados e superaglomerados e agora até
mesmo aglomerados de superaglomerados, mas existem superaglomerados de
superaglomerados e por aí em diante? Em outras palavras, em qual escala as
galáxias e aglomerados de galáxias estão distribuídas aleatoriamente?
Esta questão é importante para entender o nascimento e a evolução do Universo.
Algumas das mais básicas predições das teorias do Universo primordial dizem
respeito a quanta matéria estava inicialmente distribuída. Como a distribuição
de galáxias vista hoje evoluiu dessa distribuição inicial, cohecer a
distribuição em larga escala e a aglomeração de galáxias hoje em dia é um dos
poucos testes que pode discernir as diferentes teorias do Universo primordial.
O Sloan Digital Sky Survey foi projetado para fazer de forma precisa essa
medida fundamental. Observando sistematicamente uma larga área a grandes
distâncias, cientistas devem ser capazes de medir a quantidade de aglomeração
em todas essas escalas e usar esses resultados para restringir teorias do
Universo primordial.
Ruído e Aglomerados de Galáxias
Mas se o SDSS provar que os astrônomos estão certos e o Universo for mesmo
uniforme em escalas maiores, então por que as galáxias formam aglomerados e
superaglomerados em escalas menores? A resposta a essa pergunta tem a ver com
"processos aleatórios de ruído", que possui exemplos análogos no nosso
dia-a-dia.
Exemplos de processos aleatórios de ruído incluem: o som de estática em um
rádio velho, o som de uma cachoeira, a distribuição de ondas na superfície do
mar. Em cada um desses casos, toda vez que você escuta ou olha, o que você
ouve ou vê é diferente do que aquilo que você ouviu ou viu antes.Entretanto, é
também óbvio que você está ounvindo a mesma cachoeira ou rádio e vendo o mesmo
mar.
Em todos esses casos, as propriedades estatísticas dos sons ou das ondas são as
mesmas. Tomando como exemplo o mar, embora a superfície da água esteja sempre
mudando, a distribuição do número de ondas e suas alturas possuem propriedades
médias bem definidas. Observando uma área bem grande de mar de uma vez ou uma
pequena área por um longo tempo, você pode determinar as propriedades gerais
das ondas.

Um espectro de potência mostra como ondas com diferentes comprimentos de
onda contribuem como um todo. Processos aleatórios de ruído
tornam-se visíveis em comprimentos de onda menores. Um espectro de
potência como esse poderia ser utilizado para se analisar ondas do
mar - ou a estrutura do Universo.
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Os astrônomos que estão trabalhando com dados do Sloan Digital Sky Survey farão
uma análise parecida na distribuição de galáxias revelada no seu mapa do
Universo. Assim como as ondas em uma área do mar pode fornecer informações
sobre a profundidade da água e a força do vento, a forma com que galáxias se
aglomeram pode dizer aos cosmólogos muita coisa sobre como a matéria estava
distribuída no Universo primordial e quais processos físicos tem atuado para
mudar a aglomeração desde então.
Saber como as galáxias se aglomeram também pode fornecer aos cosmólogos
informações sobre outras propriedades findamentais do Universo. Por exemplo,
cosmólgos serão capazes de utilizar esses dados para medir a densidade do
Universo, o que os ajudará a decidir, dentre as teorias de matéria
escura, quais podem estar certas e vai permitir aos cosmólogos predizer o
destino final do Universo.
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